terça-feira, 14 de outubro de 2014

A cidade e as primeiras civilizações, a organização das sociedades na antiguidade oriental e ocidental.

Discutindo a história

Povos da antiguidade, nesse período que a humanidade começou a conhecer a experiência de viver em cidade, e com elas surgem os reinos, impérios e as cidades estado. Tradicionalmente a antiguidade era dividida em oriente (que compreende a civilização egípcia e a mesopotâmica, bem como os fenícios, hebreus e persas) e clássica ou Ocidental (grego e romanos.

O surgimento da cidade e do estado, não aconteceu ao mesmo tempo em todo o mundo. A história abarca diferentes momentos e diferentes formas de sentir e vivenciar o tempo, ou seja, múltiplas personalidades.

No início do século XIX, no Brasil, por exemplo, praticamente não se ensinava a história do Brasil. A história da civilização era ensinada apenas como um pequeno capítulo da história sagrada, os ensinamentos sobre o passado conforme a bíblia. Isso porque o estado tinha uma forte ligação com a igreja católica.

Antigas civilizações

Existem dois tipos principais de vestígios: os voluntários e os involuntários. Os primeiros foram produzidos com objetivo de registrar determinada informação ou imagens de pessoas ou instituições; os segundos resultam das atividades do dia a dia, sem outras intenção além de viver a própria vida.

No caso dessas civilizações antigas, as pesquisas envolve técnicas arqueológicas e de análise de evidências históricas, principalmente documentos escritos e vestígios materiais, como esculturas, utensílios, construções. A todo momento pesquisadores fazem novas descobertas em sítios arqueológicos, até mesmo sítios subaquáticos, como vestígios de navios naufragados que trazem informações sobre rotas de transportes e características da cultura, política e comércio entre os povos.

Os materiais encontrados nesses sítios arqueológicos são estudados por diferentes especialistas, que dispõem em técnicas específicas. No caso dos documentos escritos, a analise implica a decifração e a tradução de inscrições em pedra, argila, conchas, papiros e outros materiais. Um dos estudiosos mais importantes na tradução da linguagem usada no Egito antigo foi a francês Jean-François Champollion (1790-1832), que começou a decifrar os hieróglifos – como são denominados os sinais da escrita do antigo Egito

Durante muitos séculos, os hieróglifos aguçaram a curiosidade dos pesquisadores, que não conseguiam decifrá-los. Em 1799, numa expedição científica e militar ao Egito, sob o comando de Napoleão Bonaparte, foi encontrado um bloco de granito negro que continha a mesma inscrição gravada ao grego, demótico e hieróglifos. A pedra, que

tornaria conhecida como pedra Roseta, por ter sido encontrada no local de mesmo nome, foi a chave para decifrar dos hieróglifos. Como o grego permaneceu uma língua conhecida e usada até então, as traduções puderam ser feitas.



Civilização

¨Civilização¨ é uma palavra com muitos significados. No sentido que utilizamos, civilização equivale ao produto material e cultural do trabalho humano e as transformações da natureza. Nesse sentido todas as culturas humanas podem ser consideradas civilizadas, rompendo com a visão evolucionista e eurocêntrica construídas durante o período de conquistas pelos europeus.

Eventos como o extermínio de milhões de pessoas promovido pelos nazistas alemães durante a segunda guerra mundial, o lançamento de bombas atômicas sobre as cidades japonesas hiroxima e nagasáqui. Mostram que a ¨civilização¨ com valores ¨superiores¨ e humanistas não eram tão verdadeira como se pensava até então.

É preciso considerar que civilização não é um estágio mais avançado que todos os povos teriam necessariamente de alcançar, como se fossem pessoas que passam por fases de crescimento e amadurecimento. O que existe são diferentes respostas de distintos grupos humanos a seus respectivos meios, resultando em diferentes culturas, que não podem ser comparadas, como se umas fossem classificáveis como melhores ou piores, ou mais “avançadas” que outras.

Mesopotâmia, Egito e hebreus

A mesopotâmia é hoje ocupada pelo Iraque e uma parte pelo irã, ainda é forte a crença de que foi nessa região que surgiu a vida urbana, embora descobertas recentes tenham encontrado cidades mais antigas do que as mesopotâmicas.

No séculos XIX, a região era dominada pelo império Turco Otomano, aliado da Alemanha, que, como todas as potências europeias na época, procura expandir a seu território ou a sua influência sobre a África e a Ásia. Em 1920, após a primeira guerra mundial e o esfacelamento do Império Otomano, a mesopotâmia passou ao domínio inglês.

A escavação do final do século XIX Foram estimulada pela decifração da escrita cuneiforme, encontrada em tábuas de argila no início daquele mesmo século. O estudo dos caracteres cuneiformes permitiu aos pesquisadores analisar textos legais, contratos de propriedade, produto e comércio, entre outros documentos.

A civilização Egípcia povoa a imaginação do Ocidente há cerca de três séculos. Antes disso, as pirâmides estavam cobertas por areia, ou sendo saqueadas por ladrões de tumbas. No sinal do século XVIII, Napoleão Bonaparte já ocupara o Egito para
enfraquecer militar e comercialmente sua maior rival, a Inglaterra, controlando rotas comerciais terrestres e dificultando o domínio inglês da Índia.

A expedição militar de Napoleão, que que encontrou a pedra de Roseta, já mencionada, durou de 1798 a 1801 e incluiu grande número de estudiosos, fizeram pela primeira vez, extenso e exaustivo levantamento de informação e de objetos da antiga civilização local.

Posteriormente, a Inglaterra, consolidada como maior potência econômica e militar do século XIX, foi impondo seu poder e influência sobre o Egito, até finalmente instalar funcionários ingleses em posto-chave do governo egípcio.


A civilização Mesopotâmica

A Mesopotâmia situa-se no Oriente Médio, entre os rios Tigre e Eufrates, na região conhecida como Crescente Fértil. Seu nome já sugere tratar-se de uma região fértil, embora localizada em meio a montanhas e deserto. Mesopotâmia vem do grego (meso=”meio”; potamos=”água”) e significa “terra entre rios”.

A mesopotâmia, é ainda hoje uma planície aberta a invasões por todo lado. Além disso, o regime de cheias do tigre e do Eufrates não é tão regular como o do Nilo, no Egito, por isso são frequentes as inundações violentas a até períodos de seca na região banhada por eles.

Os primeiros vestígios de sedentarismo humano na mesopotâmia datam de aproximadamente 10000 a.c. com crescimento populacional e dos primeiros núcleos urbanos da região, desenvolveu-se um complexo sistema hidráulico, que tornou possível a drenagem de pentágonos, além da construção de diques e barragens, para evitar inundações e armazenar água para época de seca.

O sucesso das atividades produtivas levou formação de grandes cidades com mais de mil habitantes.
Essas cidades tinham principalmente função militar, protegendo a riqueza gerada pela agricultura e, ao mesmo tempo exercendo o controle político da população da região.


A Civilização Egípcia

Estalada no estremo nordeste da África, em região desértica, a civilização egípcia floresceu ás margens do Rio Nilo, beneficiando-se do regime de cheias. Ao fim do período de cheias, o rio volta ao seu leito normal e as margens, naturalmente fertilizadas, tornam possível uma rica agricultura.
Diante do aumento populacional no Neolítico, tornaram-se necessárias obras hidráulicas, como a construção de diques e canais.

As atuações dos monarcas – chefes dos nomos- , a expansão das atividades agrícolas, graças ás obras de irrigação e drenagem, e as seguidas disputas regionais contribuíram
para a fusão dos nomos, Originando por volta de 3500 a.C., dos reinos: do Alto Egito, do sul e do Baixo Egito, ao norte, na região do delta do Nilo.

Século depois, perto de 3200 a.C., deu-se a unificação, formando o primeiro reino unificado de que se
tem conhecimento na história. A sede inicialmente foi a cidade de Tínis, e mais tarde Mênfis, atual Cairo.


Os Hebreus

O povo hebreu estabeleceu-se na Palestina, região do atual território de Israel, às margens do Rio Jordão. Praticou a agricultura e o pastoreio, embora com grandes dificuldades, por causa do clima seco. Os primeiros hebreus que ocuparam a região, por volta de 2000 a.C., tinham origem semita, como os cananeus, que já eram habitantes da região, mas foram derrotados pelas tribos hebraicas.

Na bíblia, dados históricos misturaram-se com relatos místicos e religiosos envolvendo as principais personagens da história antiga hebraica. O primeiro grande líder hebreu, segundo a tradição, foi a Abraão, considerado o primeiro patriarca (chefe do clã). De acordo com a bíblia Abraão foi sucedido pelos patriarcas Isaac e Jacó. Dos herdeiros deste último descenderam os grupos familiares originais, chamados de “as 12 tribos de Israel”. É importante ressaltar, contudo, que nenhum dos patriarcas mencionado em qualquer outro documento da época que não seja o Antigo Testamento.

As crescentes dificuldades econômicas fizeram com que muitos hebreus se dirigissem ao rico vale do Nilo. Embora a princípio essa ocupação tenha sido pacífica, posteriormente eles foram escravizados.
A fuga dos hebreus do Egito, conhecida como o Êxodo, ocorreu sob a liderança do patriarca Moisés durante essa fuga, ainda segundo a Bíblia, Deus lhe ditou Os Dez Mandamentos, um conjunto de leis escritas em duas pedras. Após 40 anos de jornadas pelo deserto, os hebreus acabaram retornando à Palestina, já sob a licença de Josué.

Segundo os relatos bíblicos, os hebreus ocuparam a cidade de Jericó e, divididos em tribos passaram a nomear juízes para combater os filisteus que ocupavam o litoral da Palestina. Após a provável instalação dos hebreus na Palestina, ocorreu várias tentativas de unificar as tribos em um reino único, mas a unificação só aconteceu com a liderança de Saul, em 1010 a.C., considerado o primeiro rei dos hebreus.

Davi, o sucessor de saul, conseguiu lançar as bases para a formação de um verdadeiro estado hebraico, com governo centralizado, exército permanente e organização burocrática. Jerusalém tornou-se capital do Reino de Israel. Para os cultos foi construído um grande templo dedicado a Jeová: o templo de Jerusalém (conhecido como templo de Salomão) na capital hebraica.
Logo surgiram disputas pela sucessão, que resultaram na divisão dos hebreus em dois reinos: o de Israel, com capital em samaria, e o de judá, com capital em Jerusalém.

A consequência imediata da divisão foi a invasão estrangeira, inicialmente pelos assírios e mais tarde por Nabucodonosor, rei da Babilônia no século VI a.C., depois de saquer Jerusalém destruir o templo de Salomão, Nabucodonosor levou um grande número de habitantes do reino de judá como escravos para a mesopotâmia.

Os últimos invasores da palestina na antiguidade fôramos macedônios e, a seguir, os romanos. A resistência à ocupação romana, em 70 d.C., foi reprimida brutalmente. Jerusalém foi destruída e os hebreus se dispersaram por outras regiões. Esse movimento tornou-se conhecido como diáspora e se estabeleceu por centenas de anos.


Os Fenícios e os Persas

A fenícia situava-se no litoral da síria, no norte da palestina, onde se localiza atualmente o Líbano. Foi ocupada antes de 3000 a.C., por povos semitas que, além de desenvolverem a agricultura como cultivo de cereais, videiras e oliveiras, a pesca e o artesanato, destacaram-se no comercio marítimo.

Os povos fenícios estavam organizados em cidades-Estado como Biblos, Silon, Tiro. Na fenícia, as cidades-estado eram chefiadas pela elite mercantil e proprietária das embarcações, constituindo uma talassocracia (do grego thálassa =”mar”, kratía = força”, ”governo”), ou seja que o governo centrado no domínio marítimo.

Os fenícios chegaram a estabelecer rotas mercantis por todo o Mediterrâneo e até no litoral Atlântico do norte da África. Instalaram povoados em várias regiões no Mediterrâneo, verdadeiros entrepostos comerciais, como Cartago, no norte da África.

Com vários povos propiciado pelas relações mercantis, os fenícios conheceram várias culturas e suas artes, técnicas e descobertas, tornando-se depositários dos conhecimentos de muitas regiões e povos.

Ao mesmo tempo, deram contribuições originais à humanidade, sendo a principal delas um alfabeto fonético simplificado, composto de 22 letras, que, incorporado pelos gregos e romanos, serviu de base para o alfabeto ocidental atual.

Já os povos que ocupavam o planalto iraniano, região chamada pelos gregos de persis ou parsa, usualmente denominada Pérsia, produziram uma civilização responsável por um dos maiores impérios do mundo antigo.
Ciro, o principal conquistador, foi bastante hábil em se aliar às elites locais dos territórios conquistados, em vez de simplesmente submetê-las. Desse modo, garantiu relativa estabilidade a um vasto império.

O período de maior florescimento persa ocorreu no reinado de Dario, que dividiu o império em províncias, as satrápias.
Dario também mandou construir estradas que ligavam os principais centros urbanos do império (Susa, Pasárgada, Persépolis), criou um eficiente sistema de correios.

No império Persa, assim como entre outros povos da Antiguidade oriental, a população estava submetida à servidão coletiva, prestando serviços obrigatórios ao Estado.
O domínio do imperador era garantido pelo numeroso exército, mantido com propósitos expansionistas.

Durante quase todo século V a.C., os gregos e os persas se enfrentaram em conflitos que se tornaram conhecidos como Guerras Médicas- nome que faz referência ao povo medo, da Pérsia- ou Guerras Greco-Pérsicas.
Os conflitos deram início à época áurea da Grécia, vitoriosa nas Guerras Médicas, e à desagregação do Império Persa.

Apesar de ter incorporado muitos conhecimentos de outros povos, como a escrita cuneiforme de origem mesopotâmica, a cultura persa teve características próprias.

Em geral, os persas também admitiam a vida após a morte e o advento de um Messias à terra, um salvador que libertaria os justos (assim como na religião judaica). Os princípios dessa religião, chamada de zoroastrismo ou masdeísmo, estavam no livro sagrado Zend-Avesta, que teria sido escrito por um personagem lendário: Zoroastro, também denominado Zaratustra.



Relação com o dia-a-dia


As cidades, atualmente, têm culturas baseadas em antigas civilizações inclusive as aqui estudadas. O planejamento da construção de um lugar já acontecia em civilizações antigas, isso foi visto na Mesopotâmia, por exemplo, se aproveitavam das cheias dos rios Tigre e Eufrates e criavam recursos e construções hídricas que serviram de base para os dias atuais.

aluna: Aline Roselia

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